sexta-feira, 4 de julho de 2008

Desorganização, desperdício e descontrole

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O Brasil presta atenção somente à corrupção. Mas ela não é possível sem os "3 dês": desorganização, desperdício e descontrole.

Quando os deputados e senadores foram investigar os documentos das contas tipo B do governo FHC, na CPI da Tapioca, eles estavam tão desorganizados (dezenas de milhares deles) que seria um trabalho de quebra-cabeça monstruoso coloca-los em ordem.

Este tem sido uma das formas mais eficientes de promoção da impunidade.

impunidade não são só os políticos. Mas também de funcionários públicos relápsos e corruptos.

Nos postos de saúde, médicos e outros profissinais não cumprem horário e o prefeito pouco pode fazer. Simplesmente, pelas regras comuns do funcionalismo, não há como conferir.

A melhor forma de controle é a transparência pública. Um placa na entrada do centro de saúde com o nome do médico e o seu horário de trabalho já ajuda a coibir abusos.

A matéria abaixo, sobre o descontrole com material escolar da prefeitura de SP é só um exemplo do descalabro de desorganização, descontrole e desperdício.


Oito t de cadernos encontradas em aparas em Barueri

Ricardo Valota e Andressa Zanandrea

Um total de 8 toneladas de cadernos com emblemas da Prefeitura de São Paulo e do governo estadual foi encontrado, após uma denúncia anônima, dentro de uma caçamba de um caminhão no interior da Aparas Felipe Comercio Papéis para Reciclagem Ltda., localizada na Estrada Municipal, no Jardim Silveira, em Barueri, na Grande São Paulo.

Após receberem a denúncia, na tarde de ontem, investigadores do 1º Distrito Policial de Osasco foram até o endereço e entraram na empresa, localizando os cadernos, novos e em branco, escondidos no fundo da caçamba sob as aparas e cobertos por uma lona.

Um dos funcionários da firma, Joel Souza de Oliveira, de 32 anos, detido no local, afirmou ser encarregado de setor e disse que desconhecia a existência dos cadernos. Levado à delegacia de Osasco, Joel foi autuado por receptação qualificada, mesmo dizendo que os supostos responsáveis pelo material encontrado seriam o gerente da firma e o proprietário, de prenomes Valmir e Fernando respectivamente. Os cadernos serão periciados.


Uma diretora de ensino pertencente à Secretaria Estadual de Educação foi até o Distrito Policial e, segundo o que consta em boletim de ocorrência, ela afirma que todo o material encontrado na empresa não tem como ser vendido como sucata e que todo ano os cadernos que sobram são devolvidos para a Fundação de Desenvolvimento da Educação e redistribuídos no ano seguinte.


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Um comentário:

Glória Reis disse...

Há muita corrupção dentro das escolas, mas como são consideradas "sagradas", ninguém fiscaliza. Veja que estranho essa diretora falar em "cadernos que sobram" se a maior reclamação é falta de material na escola. Significa que o material chega, só não é distribuído aos alunos. Sou professora aposentada e sei o quanto acontecem despedício e desvio dentro das escolas.