Mostrando postagens com marcador cotas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cotas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Pelé e o respeito aos mais velhos

.

Pelé deu algumas gafes com nomes de pessoas.

Se confundiu entre Jordan e Jackson.

Depois se confundiu de novo.

E daí?

Será que não podemos aceitar que um senhor de 68 anos possa ter alguns lápsos de memória.

Será que ensinaremos aos nossos filhos que alguém que está velho deve ser desprezado quando não atua como gostaríamos?

Sempre ensinei aos meus filhos que a mesma paciência, carinho e respeito que eles receberam quando crianças pequenas deve ser retribuído aos mais velhos.

Pode errar, Pelé. Seja você mesmo!

Quem te criticar é porque ainda não aprendeu a cultivar o respeito e a caridade. E estes vão te criticar de qualquer jeito.


PS: estes são os mesmos que combatem as políticas de cotas, PROUNI, bolsa família, etc.


Leia também:

Cotas para afro-descendentes nas universidades e a gratidão
http://chicaodoispassos.blogspot.com/2008/07/cotas-para-afro-descendente-na.html




.

terça-feira, 23 de junho de 2009

A carta de um pai que adotou crianças negras

.

O preconceito contra os filhos

De Ruy

Sou branco. Minha mulher é branca. Adotamos 3 crianças negras. Ninguém é capaz de imaginar as situações pelas quais passamos. Só quem as viveu, conscientemente, pode avaliar.

Quando entramos na fila de adoção, a assistente social (negra) tentou nos dissuadir da idéia de adotarmos crianças negras, alegando que “isso não dá certo”.

Na padaria do bairro (chiquezinha) se as crianças corressem na frente (frequentemente vestindo o uniforme da escola), logo eram barradas pelo segurança (precisei dar alguns “esporros” até que parassem com isso).

Voltando de férias da Bahia, avião com overbooking; o atendente da cia. aérea nos colocou num canto, de pé, ao lado da cabine do piloto. Várias pessoas (todas brancas) entravam e nós esperando. Perdi a paciência e juntei o sujeito pelo colarinho. “Tá me achando com cara de palhaço?”. Os lugares apareceram milagrosamente.

Na livraria do aeroporto a mulher à minha frente, na fila do caixa, protege a bolsa quando minha filha se aproxima (minha filha é linda e estava vestida como uma bonequinha, laço de fita no cabelo e tudo mais). Pensei: vale a pena estragar a viagem prá discutir com essa idiota? Deixei prá lá.

Festa de aniversário no kartódromo. Fila de meninos para entrar nos carros. Deixo meu filho na fila e vou fazer outra coisa. Volto meia hora depois e ele ainda está na fila. Pergunto: o que houve? Ele: vários meninos entraram e o tio manda eu esperar. Olho pro “Tio” e ameaço: se ele não entrar na próxima, chamo a polícia. Rapidinho aparece um kart.

Na escola (classe média alta, mensalidade cara), qualquer encrenca envolvendo vários meninos, logo sobrava para os “pretinhos”. Chamei o diretor às falas, ameacei processar e levar o assunto para a mídia. Resultado: a perseguição aberta cessou, mas nasceu a perseguição institucional (na prova de matemática, ainda que todos os cálculos estivessem corretos, perdiam pontos por erros de português). Troquei de escola e adotei definitivamente o estilo low profile.

Desisti? Não! Apenas decidi criar meus filhos para saberem driblar tais situações. Estudem mais, sejam os melhores da classe, comportem-se mais que seus colegas, sejam mais educados, enfim, tenham mais paciência que seu pai. Provem para vocês mesmos que são os melhores, não pelo fato de serem negros (e nem apesar de serem negros) Sejam melhores, pelo prazer de serem melhores, por méritos próprios. E só!

E se, no futuro, nosso país não tiver passado por uma mudança radical, que lhes permita viver em paz, que tenham estudado o bastante para encontrar uma vida melhor em qualquer outro lugar do mundo, onde as pessoas sejam valorizadas por seus dotes e qualidades, não importando a cor ou a origem. E onde haja menos idiotas. Em todos os sentidos.

P.S.: eu vivo repetindo: cachorro pode ter raça; gato pode ter raça; gente pode, no máximo, ter cor diferente. Raça? Somos todos da RAÇA HUMANA (ainda que muita gente se esforce para me convencer do contrário)!!!

Do Blog do Luis Nassif


Nota do Chicão:

Leia abaixo trecho da revista Época:

“A criação de cotas raciais não vai gerar problema para a universidade, mas para o país”, afirma o geógrafo Demétrio Magnoli – ele participa das discussões no Senado e escreve um livro sobre a questão racial. “A partir do momento em que o Estado cria a raça, passa a existir também o racismo.”


Meu amigo, que loucura!

O sujeito diz: "passa a existir também o racismo".

A revista publica, os leitores aceitam tamanha loucura por que desistiram de refletir.

(Leia o resto deste texto aqui)

O combate ao racismo se faz com bons exemplos e, principalmente, com a mudança da REALIDADE. Não adianta só falar, as pessoas precisam se ACOSTUMAR a ver negros como empresários, médicos, advogados, engenheiros, psicólogos, modelos, etc.

Atualmente o presidente dos EUA é negro.

O Obama só foi eleito porque ANTES os americanos se acostumaram com negros comandando as forças armadas do país, com negros médicos cuidando de brancos em hospistais, com negros juízes, promotores, etc. Este fato só possível de ser realizado em curto espaço de tempo por existiu as políticas de cotas (as políticas de ação afirmativas).

É assim que se combate o racismo

É importante lembrar que a questão do racismo não é só um problema social. É, antes de tudo, um problema de evolução espiritual.

A caridade é ajudar pessoas que possuem dificuldades em evoluir. Algumas pessoas são preguiçosas, outras gananciosas e outras preconceituosas.

Um país onde as pessoas de todas as origens, classes sociais, cor de pele e formato do corpo tenham oportunidades REAIS de crescerem e progredirem culturalmente, socialmente e financeiramente dará aos preconceituosos mais oportunidades de evoluir e superar este limite.

Certamente teremos uma sociedade um pouco melhor.

Certamente a vida dos ex-preconceituosos será melhor.

Criar cotas e incentivar MUITO a progressão social dos negros e pobres em geral é o melhor exemplo que podemos dar aos nossos filhos.

É o melhor para a vida espiritual de todos.

Até porque, nas inúmeras encarnação que teremos, chegará nosso momento de enfrentar os desafios de nascer em famílias mais humildes e, talvez, negra.

Que Deus abençoe este pai. Ele está dando muitas oportunidades para as pessoas de classe média alta superarem os preconceitos.

Esta é uma forma bela de caridade para com as pessoas da sociedade.


Leia também:

Cotas para afro-descendentes nas universidades e a gratidão


A loucura dos que querem acabar com o PROUNI


Quem vai conseguir o emprego?


.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Bolsista tem nota igual ou maior que pagante

.

Comparação foi feita entre beneficiados pelo ProUni e demais alunos do último ano de dez cursos universitários privados

Para diretores de faculdades, bom resultado dos alunos bolsistas não surpreende; para conseguir a bolsa, é preciso ir bem no Enem

Folha de S. Paulo (15/06/09)

Bolsistas do ProUni tiveram desempenho igual ou superior ao de seus colegas no Enade (exame do Ministério da Educação que substituiu o Provão), em dez áreas onde foi possível fazer a comparação entre alunos que cursavam o último ano.

A pedido da Folha, o Inep (instituto de pesquisas ligado ao MEC) comparou a média desses universitários com a dos demais colegas de curso.

O Enade de 2007 foi o primeiro a identificar, entre os formandos, aqueles que são bolsistas do ProUni -programa do MEC que dá bolsas integrais ou parciais em instituições privadas para alunos com renda familiar per capita inferior a três salários mínimos.

Nas dez áreas comparadas, em duas (biomedicina e radiologia) a diferença a favor dos bolsistas foi significativa.

Nas oito restantes (veterinária, odontologia, medicina, agronomia, farmácia, enfermagem, fisioterapia e serviço social), a distância (a favor dos bolsistas em quatro casos e contra eles em quatro) foi sempre igual ou inferior a dois pontos numa escala de zero a cem -diferença que não é significativa estatisticamente.

Já na comparação entre ingressantes, o desempenho foi sempre favorável aos bolsistas.
O sociólogo Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, sugere duas hipóteses. A primeira é que isto indicaria que os bolsistas têm nível socioeconômico superior ao de seus colegas, o que mostraria que a focalização do programa não está sendo eficiente. A segunda é que, como há uma nota mínima no Enem para pleitear a bolsa, ficam de fora os alunos de nível menor, que ingressariam, sem ProUni, em cursos menos disputados.

Para diretores de universidades privadas, o bom desempenho não surpreende.
Célia Forghieri, assessora da Pró-Reitoria de Cultura e Relações Comunitárias da PUC-SP, diz que, por ser uma das universidades mais procuradas pelos inscritos no ProUni, a PUC recebe os melhores alunos das escolas públicas.

"Muitos professores ficaram receosos de que os alunos [do ProUni] iriam diminuir o brilho acadêmico da universidade, o que se mostrou equivocado."

Na PUC-Rio, o diagnóstico é o mesmo. "No geral, são [alunos] aplicados que reconhecem o valor da oportunidade que estão tendo. A evasão também é menor", diz Elisabeth Jazbik, assessora da vice-reitoria.

As universidades Estácio de Sá, do Rio, e Anhembi Morumbi, de São Paulo, fazem o mesmo balanço. "Não temos registro de nenhuma alteração significativa na curva normal de desempenho dos alunos", afirma Jessé Holanda, diretor executivo de operações da Estácio.

"Eles têm notas muito boas no Enem e chegam bem preparados", diz Karl Albert, diretor da Anhembi Morumbi.

Mesmo assim, ainda não há consenso sobre o peso do ProUni na inclusão de alunos pobres nas universidades.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE mostra que, em 2004, ano de criação do programa, 679 mil alunos de particulares tinham renda domiciliar per capita inferior a 1,5 salário mínimo (corte do ProUni para concessão de bolsas integrais). Eles eram 20% do total.

Em 2007, considerando a variação da inflação e do mínimo no período, esse número aumentou para 895 mil, mas, como houve crescimento de matrículas nas particulares, o percentual se manteve em 20%.


Nota do Chicão:

São inúmeros os artigos como este que já publicamos aqui no Blog do Chicão.

A imagem que a classe média faz dos bolsistas do PROUNI como um bando de semi-alfabetizados tomando conta das universidades e rebaixandoo ensino tem sua origem no preconceito e nas manipulações da mídia conservadora.

Qualquer recurso que seja destinado aos mais pobres é motivo de "controvérsias". Você já leu alguma controvérsia sobre os donos das Organizações Globo terem comprado um jatinho de mais de U$40 milhões e terem um monte de benefícios fiscais nesta compra? Benefício fiscal significa que o dinheiro que iria para o governo ( para manter uma rodovia, por exemplo), fica no bolso dos mais ricos. Ou seja, a classe média paga imposto, a classe baixa paga imposto e a classe alta possui muitas formas para NÃO pagar impostos ou pagar muito pouco.

O que o Brasil está descobrindo é que existe uma elite na escola pública, que apesar de toda dificuldade valoriza MUITO os estudos, se esforça, dedica, busca informações.
Tendo boas oportunidades estas pessoas vão longe.

A má vontade com os pragramas sociais parece ser o DNA dos tucanos. O sociólogo tucaninho Simon falou duas barbaridades:

1- "A primeira é que isto indicaria que os bolsistas têm nível socioeconômico superior ao de seus colegas..." A resposta está nos parágrafos anteriores: "ProUni -programa do MEC que dá bolsas integrais ou parciais em instituições privadas para alunos com renda familiar per capita inferior a três salários mínimos." De onde vem tamanha loucura? Da idéia que os alunos de escolas públicas são sempre menos capazes. Se estão indo bem é porque não são pobres ou de classe média baixa.

2- "como há uma nota mínima no Enem para pleitear a bolsa, ficam de fora os alunos de nível menor, que ingressariam, sem ProUni, em cursos menos disputados". Traduzindo o pensamento do sociólogo: são os alunos de escola pública que jogam as notas dos pagantes para baixo. A reportagem diz que em Medicina e odontologia (cursos mais concorridos e muito caros) os alunos do PROUNI foram bem. Esta informação desmonta o pensamento do sociólogo.

"Na PUC-Rio, o diagnóstico é o mesmo. "No geral, são [alunos] aplicados que reconhecem o valor da oportunidade que estão tendo. A evasão também é MENOR", diz Elisabeth Jazbik, assessora da vice-reitoria".

Todo programa social deve ser aperfeiçoado com o tempo. À medida que os anos passam é possível avaliar melhor os dados de realidade. Nesta hora pesquisadores de todas as visões ideológicas são importantes. Pois cada um vai enxergar o mundo de uma forma diferente. Nestas condições os questionamentos são mais amplos. E as possibilidades de acerto ficam maiores.

PS: você sabe de onde vem o dinheiro do PROUNI? Vem dos impostos que as universidades NÃO TEM QUE PAGAR. Antes de 2004 os impostos NÃO PAGOS iam direto para o patrimônio dos donos de faculdades. Isto NUNCA FOI QUESTIONADO PELOS CONSERVADORES. Para eles isto é sempre normal; é o mundo como eles enxergam e sonham. A "controvérsia" começa quando este dinheiro é destinado a ajudar as pessoas menos favorecidas.

Pense nisto!



Vale a pena investir nos brasileiros mais pobres

Vale a pena investir nos brasileiros mais pobres 2

ProUni faz taxa de alunos com emprego subir de 56% para 80%

Cotas nas universidades: entre o delírio e a falta de vergonha na cara

Cotas para afro-descendentes nas universidades e a gratidão



Receba as mensagens do Blog do Chicão diretamente no seu email.

Se associe ao grupo de notícias do Chicão,
é só mandar um email para:
noticias_chicao-subscribe@yahoogrupos.com.br


.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

As cotas desmentiram as urucubacas

.

Quem acompanhasse os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro:

"Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha aos perigos da desorganização do atual sistema de trabalho."

Livres os negros, as cidades seriam invadidas por "turbas ignaras", "gente refratária ao trabalho e ávida de ociosidade". A produção seria destruída e a segurança das famílias estaria ameaçada.

Veio a Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?).

Passados dez anos do início do debate em torno das ações afirmativas e do recurso às cotas para facilitar o acesso dos negros às universidades públicas brasileiras, felizmente é possível conferir a consistência dos argumentos apresentados contra essa iniciativa.

De saída, veio a advertência de que as cotas exacerbariam a questão racial. Essa ameaça vai completar dezoito anos e não se registraram casos significativos de exacerbação. Há cerca de 500 mandados de segurança no Judiciário, mas isso nada mais é que a livre disputa pelo direito.


Num curso paralelo veio a mandinga do não-vai-pegar. Hoje há em torno de 60 universidades públicas com sistemas de acesso orientados por cotas e nos últimos cinco anos já se diplomaram cerca de 10 mil jovens beneficiados pela iniciativa.

Havia outro argumento: sem preparo e sem recursos para se manter, os negros entrariam nas universidades, não conseguiriam acompanhar as aulas, desorganizariam os cursos e acabariam deixando as escolas.

Entre 2003 e 2007 a evasão entre os cotistas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi de 13%. No universo dos não cotistas esse índice foi de 17%.


Quanto ao aproveitamento, na Uerj, os estudantes que entraram pelas cotas em 2003 conseguiram um desempenho pouco superior aos demais. Na Federal da Bahia, em 2005, os cotistas conseguiram rendimento igual ou melhor que os não cotistas em 32 dos 57 cursos. Em 11 dos 18 cursos de maior concorrência, os cotistas desempenharam-se melhor em 61% das áreas.

De todas as mandingas lançadas contra as cotas, a mais cruel foi a que levantou o perigo da discriminação, pelos colegas, contra os cotistas.

Caso de pura transferência de preconceito. Não há notícia de tensões nos campus. Mesmo assim, seria ingenuidade acreditar que os negros não receberam olhares atravessados. Tudo bem, mas entraram para as universidades sustentadas pelo dinheiro público.

Tanto Michelle Obama quanto Sônia Sottomayor, uma filha de imigrantes porto-riquenhos nomeada para a Suprema Corte, lembram até hoje dos olhares atravessados que receberam ao entrar na Universidade de Princeton. Michelle tratou do assunto em seu trabalho de conclusão do curso. Ela não conseguiu a matrícula por conta de cotas, mas pela prática de ações afirmativas iniciada em 1964. Logo na universidade onde, em 1939, Radcliffe Heermance, seu poderoso diretor de admissões de 1922 a 1950, disse a um estudante negro admitido acidentalmente que aquela escola não era lugar para ele, pois "um estudante de cor será mais feliz num ambiente com outros de sua raça". Na carta em que escreveu isso o doutor explicou que nem ele nem a universidade eram racistas.

Élio Gaspari - Élio Gaspari
O Globo - 03/06/2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Cotas nas universidades: entre o delírio e a falta de vergonha na cara

.

Leia abaixo trecho da revista Época:

“A criação de cotas raciais não vai gerar problema para a universidade, mas para o país”, afirma o geógrafo Demétrio Magnoli – ele participa das discussões no Senado e escreve um livro sobre a questão racial. “A partir do momento em que o Estado cria a raça, passa a existir também o racismo.”


Meu amigo, que loucura!

O sujeito diz: "passa a existir também o racismo".

A revista publica, os leitores aceitam tamanha loucura por que desistiram de refletir.

A pessoa pode ser a favor ou contra as cotas. A família Marinho, dona da Globo, é contra. Sua revista faz campanha contra. Os jornalistas que escreverem diferente são demitidos.

Basicamente: que se dane a realidade!

Todavia, acreditar que as cotas vão "criar" o racismo no Brasil é de um cinismo sem tamanho. É doentio.

Leia também:

É assim que se combate o racismo


Negativizar a realidade para dominar as mentes


As cotas na UnB


A loucura dos que querem acabar com o PROUNI


Auxílio e tempo de duração das cotas no Brasil


Quem vai conseguir o emprego?


Cotas para afro-descendentes nas universidades e a gratidão


Negros superam mitos e obtém boas notas


Negros e as cotas na UERJ



.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

É assim que se combate o racismo

.




No auge da fama da Xuxa muitas crianças negras perguntavam para suas mães quando iriam ficar brancas.

Xuxa, Angélica, Eliane, etc... eram todas loirinhas, como se o Brasil fosse uma filial da Suécia.

As crianças negras viam a propaganda de bonecas loiras de olhos verdes.

Estas crianças cresceram sem referência nenhuma do que é ser negro que não fossem pessoas simples e em posições sociais humildes. Traduzindo, negros apareciam na Tv em programas sobre criminalidade ou apareciam na vida das crianças como cozinheira, motorista de ônibus ou como um vizinho pobre e sem estudos que nem seus pais.

Os mais ricos somente cruzavam com negros quando estes trabalhavam em serviços simples ou quando os "incomodavam" pedindo coisas ou andando por onde "não deveriam".

Palavras bonitas não competem com fatos concretos. De que adianta alguém falar que os negros merecem respeito e depois ficar com medo quando vê um grupo deles andando na rua?

Não adianta nada.

A melhor forma de combater o racismo é ajudar os negros a "crescerem" econômica e culturalmente. Mais educação e mais oportunidade de estudos e empregos (empregos "bons").

Eu já disse e repito. Obama só foi eleito porque ANTES os americanos se acostumaram com negros comandando as forças armadas do país, com negros médicos cuidando de brancos em hospistais, com negros juízes, promotores, etc. Este fato só possível de ser realizado em curto espaço de tempo por existiu as políticas de cotas (as políticas de ação afirmativas).

Veja agora que bela a notícia abaixo:

"Deu na "New York" e ecoou no Blue Bus que as agências publicitárias americanas "lutam para se ajustar à nova era, em que as pessoas mais admiradas da América são uma família negra". Agentes buscam modelos (acima) que lembrem as duas filhas de Obama". Folha de SP

Certamente as crianças americanas negras não perguntarão mais para suas mães, como as brasileiras: quando é que eu vou ficar branca?

Não perguntarão porque terão muitos e bons exemplos de pessoas como elas em posição social de relevância.

E as crianças de outras raças poderão admirar negros que não sejam esportistas ou artístas.

E vai chegar um tempo em que a cor das pessoas serão o segundo (ou terceiro) plano de suas vidas.

Neste dia a sociedade humana estará vivendo muito melhor.




.




.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Bem vindo, Obama, o novo presidente conservador dos EUA

.

Não se iludam. Obama é conservador e imperialista. Seu governo será assim, salvo agradáveis surpresas.

Todavia, fico super feliz que seja ele. Não é ligado à indústria do petróleo e flerta com a "agenda verde".

Ele carrrega em si um simbolismo. O simbolismo da importância da luta dos movimentos sociais para mudarmos o planeta.

Os negros lutaram. Conseguiram direitos. Mais do que direitos, conseguiram gerar leis que deram APOIO ESPECIAL. Foram várias dessas leis, a mais visível são as cotas de emprego e de estudo.

Antes de votar em um negro, os americanos brancos foram atendidos por médicos negros. Foram auxiliados e orientados por advogados negros. Foram amparados por enfermeiras e assitentes sociais negras. Tiveram negros na Suprema corte. Tiveram negros em altos postos militares.

Só depois que eles acostumaram a "ver" os negros como capazes é que um fenômeno como o Obama foi possível.

Um dos shoppingcenters que mais vendem no Brasil fica em Campinas. É o shopping Iguatemi. Um dia eu estava lá atoa e resolvi percorrer suas lojas. Nada de negros trabalhando lá (como vendedores e muito menos como gerentes). Em dado momento eu encontrei com uma conhecida que tem loja neste lugar a muitos anos e comentei com ela minha observação. Ela confrmou e disse: "as pessoas tem medo de perder vendas se colocarem um negro como vendedor ou gerente. As pessoas associam negros a lugares populares".

Eu faria diferente, mas não a critico. Eu reflito. Se tivesse cotas de empregos para negros, todas as lojas seriam obrigadas a contratar e aí os racistas se acostumariam a ser atendidos por negros em "lojas finas".

Seria uma benção para estes racistas. Ter a oportunidade de superar o preconceito é realmente uma benção.

Por isto, a política de cotas para negros e pobres em geral deve ser vista como um benefício para a sociedade TODA.

Para aqueles que, como eu, acreditam na importância da evolução do espírito eu digo: ninguém leva calça de marca para o plano espiritual. Mas todos levam para o plano espiritual o que cultivam de valores, crenças e sentimentos. E o racismo, mesmo que enrustido, é algo péssimo para se cultivar.

Leia abaixo o texto do Elio Gaspari:

... Não há apenas um negro na Casa Branca, até porque o pastor Thomas Robb, diretor da Ku Klux Klan, já informou que ele "é só metade preto".

Os negros americanos liquidaram a fatura. O presidente é negro. O procurador-geral também, bem como a embaixadora nas Nações Unidas. O trisavô de Michelle Obama foi escravo numa plantação de arroz. Os netos da geração que marchou (ou não) nos anos 60 tornaram-se parte da elite americana. Susan Rice, a embaixadora na ONU, é sobrinha neta de Vernon Jordan, que em 1961 era um jovem advogado e escoltou a primeira estudante negra admitida por ordem judicial na Universidade da Georgia.

A meia hora de caminhada da escadaria onde Obama tomou posse está guardado um par de mocassins com os saltos tipo anabela quase completamente comidos. Durante dez anos, aqueles sapatos ficaram em algum canto da casa de uma professorinha negra de 25 anos, mulher de um militante que tomara 125 cadeias por conta das encrencas de Martin Luther King. Eram a um só tempo coisa velha e memorável. Um dia veio-lhe a ideia de oferecer os mocassins ao Museu de História Americana. E lá estão eles, com a informação: estes foram os sapatos que Juanita Williams usou na Marcha de Selma.

Em março de 1965, Barack Obama ainda não completara 4 anos, viviam em Selma (Alabama) 15.000 negros, mas só 156 deles podiam votar. Uma primeira marcha andou seis quarteirões e acabou a cacetadas. Não adiantou. Duas semanas depois os negros marcharam por 80 quilômetros, durante cinco dias e quatro noites. Eram 300 na partida e foram 25.000 na chegada, na capital do Estado.

Os sapatos de Juanita eram um pedaço da história dos Estados Unidos e ela percebeu. Depois de Selma o presidente Lyndon Johnson pôs fim às chicanas eleitorais contra os negros...


Nota do Chicão:

Reflita sobre esta frase:

"Uma primeira marcha andou seis quarteirões e acabou a cacetadas".

Muitos destes homens e mulheres foram presos e indiciados por desrespeito as leis.

Se fosse no Brasil a associação de juízes os teriam incluído na lista suja das eleições.

Por isto é muito bom tomar cuidado com esta idéia de lista suja. Pois quem arregaça as mangas e luta contra a injustiça comumente tem algum problema com as leis.

No mundo todo é assim.

No Japão, dois ativistas ecológicos estão sendo processados porque filmaram e fotografaram a farsa que é a "pesca científica" das baleias. Entre outras coisas eles mostraram a carne da beleia sendo embalada, algo bem comercial e nada científico.

Tomem cuidado!

Viva a AÇÃO DIRETA!



.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A semente virou árvore: valeu a luta dos movimentos sociais

.






Na charge acima tem um membro do movimento social, descendente de índio. Tem um nordestino, torneiro mecânico, líder sindical. Tem um mestiço eleito num país racista. Tem um milico... este tipo de presidente não é novidade.

Gostaria de realçar que nenhum deles teria sido eleito se não fossem as lutas dos movimentos sociais.

O racismo dos EUA diminuiu muito porque muitos brancos foram atendidos por médicos negros formados graças às políticas de ação afirmativa. Juízes negros cumpriram corretamente suas funções, etc. Ou seja, funções nobres foram ocupadas por negros (diretores, gerentes, professores de universidades, etc.). Tudo graças a uma política de formação de "recursos humanos" que garantiu espaço e condições para estes negros se desenvolverem em um ambiente hostil ao seu progresso e ascensão social e profissional.

A eleição do Obama é fruto deste movimento de direitos civis. O fruto que nasceu depois de décadas que as sementes foram lançadas.

Na minha opinião o Obama é conservador. Mas, o símbolo de sua eleição é fantástico.

A história que os jornais conservadores contam tendem a esconder os frutos, bons frutos dos movimentos sociais. (leia aqui o texto agricultura limpa)

Os frutos são bons. O mundo é mais justo, mais humano e mais desenvolvido graças aos movimentos sociais.

Quando você lê sobre a redução de enxofre e chumbo no diesel do que você lembra? Do interesse conservador pela ecologia e pela saúde da população? Não, nada disso. Lembre do movimento ecológico que à décadas vem batalhando para melhorar estas condições. Viva os ecochatos! Devemos a eles esta vitória que se constrói AOS POUCOS e com MUITO SACRIFÍCIO.

Viva os que lutam todos os dias! Estes "são os imprescindíveis".

Agora o Bush vai embora, espero que junto vá a força do lobby do petróleo que dominou este governo e bloqueou os avanços na área de energia renovável.

No seu lugar vai entrar um cara que só está lá porque os negros tiveram um APOIO ESPECIAL PARA PODEREM CRESCER, MELHORAR, ESTUDAR, E TER BOAS OPORTUNIDADES DE EMPREGO.

Alguns morreram lutando para que os negros tivessem direitos civis. Negros e brancos morreram porque apoiaram esta luta. Plantaram a semente.

Estes são os imprescindíveis. Estes fazem a história.



.

sábado, 27 de setembro de 2008

Auxílio e tempo de duração das cotas no Brasil

.


Apesar de um alento para parte dos jovens negros brasileiros, as cotas raciais nas universidades públicas estão longe de dar conta do grande problema que é a desigualdade racial no Brasil.

Para o diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Mário Theodoro, que coordenou estudo mostrando que a população negra será maior do que a branca no Brasil, ainda este ano – o sistema de cotas é "instrumento de valorização da população negra" e importante passo para quebrar um ciclo vicioso de racismo.

– Preconceito se combate com ações afirmativas, que permitem que populações tenham acesso a melhor qualidade de vida – No Brasil, a ação mais recorrente é a cota, que fará com que negros tenham ensino público de qualidade.

O coordenador do Programa Políticas da Cor do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj, Renato Ferreira, defende medidas de inclusão nos ensinos fundamental e médio como parte do sucesso para o sistema de cotas raciais nas universidades.

– Se tivéssemos escola pública de qualidade para todos, o quadro seria diferente e haveria mais alunos ingressando na universidade – avalia.

– As cotas terão mais eficácia e gerarão mais resultados se houver escola pública melhor.

Duração

O sistema de cotas, para Theodoro, é um tipo de ação afirmativa para que dentro de anos tenhamos médicos, advogados e engenheiros negros também:

– Quando crianças negras olharem negros em pontos-chave da sociedade e conseguirem vislumbrar um futuro, mudanças começarão a acontecer.

As cotas são um paliativo para a desigualdade que existe hoje. Quando acabar não haverá mais necessidade.

Ferreira aposta que a política de cotas deixará de existir quando "a discriminação for menor, houver mais consciência e mais negros estiverem ocupando espaços de poder":

– Quando esse dia chegar, poderemos abrir mão da política de cotas nas universidades.

Frei David, da ONG Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes (Educafro), é direto:

– No máximo 10 anos depois de todas as universidades brasileiras adotarem as cotas, poderemos dar fim a esse tipo de política no Brasil Será o tempo para mudar a realidade brasileira.

Theodoro acredita que quanto mais a população negra crescer no Brasil, mais aumentará a pressão para que seja discutida a questão racial. Este movimento, avalia, acarretará mudanças significativas para a sociedade.

do Jornal do Brasil


Nota do Chicão:


Conheço uma história de uma pessoa que achava que gay devia apanhar. Tinha raiva e preconceito. O tipo de pessoa que não pensaria duas vezes em atrapalhar a vida de uma pessoa por ser homossexual.

Isto durou até o dia que um médico gay salvou a vida de um filho desta pessoa. A partir deste dia ele mudou o seu pensamento e suas crenças.

Quando tivermos médicos negros, muitos deles, e as pessoas forem tratadas por eles certamente o conceito de "preto, sujo e burro", não se sustentará na mente de muitas pessoas.

E, muitas crianças negras pensarão: eu também posso ser "alguma coisa na vida". Pois estarão vendo pessoas como ela conquistando bons empregos e tendo uma vida melhor.

As cotas são apenas ma forma de apressar esta transformação.

Para quem busca uma sociedade mais humana as cotas são importantíssimas.



.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

As cotas na UnB

.

Por Eduardo Guimarães

Caro Nassif,

você vem abrindo espaço em seu blog para o debate sobre cotas raciais nas universidades, apesar de saber que você é contra elas.

Sabedor que sou de seu espírito democrático, sugiro-lhe que dê espaço para estudo da UnB, noticiado pelo site Vermelho, que mostra que os alunos das primeiras turmas de cotistas raciais do país, da UnB, que agora se formam, apresentaram desempenho muito superior ao dos nã-cotistas.

Com efeito, e segundo o estudo da UnB, numa escala de 0 a 5, os cotistas alcançaram, em média, um coeficiente de rendimento de 3,9 contra 2,3 dos não-cotistas, e a média de trancamento de matrícula entre os cotistas é de 0,5, contra 1,0 dos não cotistas. Já as reprovações entre os cotistas alcançam 1,5, contra 3,5 dos demais.

O estudo da UnB desmonta, de cabo a rabo, a eterna falácia da mídia branca sobre o sistema de cotas vir a gerar um jamais comprovado "prejuízo acadêmico".

Em benefício do debate público sobre a política afirmativa do governo Lula, sugiro que você dê espaço para essa discussão.

Para concluir, vale esclarecer que minhas filhas e filho são brancos, sempre estudaram em caras escolas particulares e, assim, jamais se beneficiariam do sistema de cotas raciais. Além disso, pertenço à classe social beneficiada pela injusta política de ingresso no ensino superior gratuito que infelizmente ainda predomina no Brasil.

Comentário

Lembro o Eduardo que a Unicamp tem pesquisa semelhante que chegou a resultados semelhantes. A cor não influenciou o resultado. A raça (no sentido de vontade de vencer) sim.

Do blog do Luis Nassif

.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Cotas para afro-descendentes nas universidades e a gratidão

.


Como criar uma sociedade mais justa?

Reconhecendo os limites e os sofrimentos das pessoas.

Procurando apoia-las naquilo que é importante para diminuir o sofrimento ou as limitações.

Isto significa dar a estas pessoas “alguns” privilégios.

Construir rampas em calçadas só serve para quem anda em cadeira de rodas e idosos com limitação de locomoção.

Este é o “privilégio” necessário para quem tem esta limitação.

Nós, que não temos esta limitação, podemos CULTIVAR A GRATIDÃO E A GENEROSIDADE.

Quem ganha? TODOS.

O mesmo acontece com relação aos negros e seus descendentes (negros, mulatos, etc).

Uma mulata trabalhadora e estudiosa vai procurar emprego de vendedora no shopping.

Será que ela consegue?

Provavelmente não.

Ela poderia ter um bom emprego e investir em seus estudos.

Temos que reconhecer que para ela, por ser afro-descendente, este caminho é bem MAIS difícil.

Escolas públicas deficientes, bibliotecas públicas deficientes, falta de estímulo e de bons exemplos, dificuldade em conseguir empregos, falta de cursos técnicos, etc.

Ela não é simplesmente pobre: ela é mulata. É MAIS difícil para ela.

Uma sociedade justa pode ajuda-la.

Esta é a generosidade que deve guiar uma sociedade.

Há muitas formas de ajuda-la. Nenhuma sozinha irá resolver todos os problemas do Brasil. Mas, serão atitudes que irão ajudar a minorar o sofrimento e as dificuldades de algumas pessoas.

As cotas são formas de ajudar estas pessoas. Uma delas, não a única.


Faz anos que ajudo pessoas humildes em seus estudos.

Eu observo que a imensa maioria (não todos) aproveita as oportunidades com garra e dedicação.

É bonito ver pessoas cujo futuro estava comprometido se desenvolverem.

Para quem opta por servir ao próximo é muito gratificante poder ver os frutos do seu esforço.

É bom viver e exercitar a gratidão e a generosidade.

Tenham certeza de que não é só aqueles que recebem o benefício material que são beneficiados.

OS MAIS BENEFICIADOS SÃO OS QUE APRENDEM A VIVER EM GRATIDÃO.


.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Quem vai conseguir o emprego?

.

Alguns amigos foram ao shopping procurar emprego.

Com o dinheiro do emprego vão investir na própria educação.

O problema é: só existem duas vagas.

Quem você acha que vai ser escolhido?

Lembre são duas vagas para vendedor de uma loja de roupas.


















Observe você mesmo se as oportunidades são iguais.


.

Negros superam mitos e obtém boas notas

.

Quando ainda não existiam as cotas para afro-descentendes nas universidades era comum um tipo de crítica:

"O nível das universidades vai cair muito e todos serão prejudicados".

A imagem que os setores conservadores procuravam passar era que um “bando de semi-alfabetizados” iria invadir as universidades públicas. (Argumento utilizado por uma das principais revistas do Brasil).

Sem preparo, eles não conseguiriam aprender gerando um menor nível das aulas.

Esta é a postura tradicional dos setores conservadores do Brasil: negativizar tudo que possa ir contra ao interesses destes setores.

Eles se "esqueceram" de um pequeno detalhe: existe uma elite de alunos de escolas públicas bem preparados que só precisam de uma pequena força para deslancharem e serem ÓTIMOS profissionais.

A verdade finalmente apareceu.

Agora, que existem várias universidades com sistema de cotas a vários anos, é possível demonstrar que os alunos cotistas conseguem acompanhar e, muitas vezes, superar os alunos não cotistas.

Os dados estão no texto abaixo:

http://blogchicao.tripod.com/boasnotas.html


Mais uma vez fica claro que a forma pela qual busca-se manter a DOMINAÇÃO é através da negativização da realidade.

.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Negros e as cotas na UERJ

Por Sergio Telles (blog do Luis Nassif)

Como aluno da UERJ, posso explicar... As vagas para negros não são apenas pelo critério racial, há 2 outros limites, que são: ter estudado em escola pública e ter renda per capita na família de menos de 1 salário mínimo por mês. Isso retira muitos pardos e negros da condição de concorrer às cotas raciais. Muitos outros candidatos concorrem pelas cotas de estudantes de escolas públicas.

As cotas ... (em cursos) como Direito, Medicina, Odontologia, Jornalismo e algumas Engenharias, todas as vagas foram preenchidas, até então um negro ou pobre nesses cursos elitizados era coisa raríssima.

A gente convive diariamente com essas pessoas de cotas (não há nenhum tipo de distinção, mas nota-se a dificuldade e a origem deles, muitos são moradores de favelas e não possuem dinheiro sequer para material didático ou mesmo para a alimentação ou passagem, enfim, são realmente pessoas que estão ali no limite do esforço) e alguns destes já estão se formando, com resultados brilhantes, superando dificuldades da base, da carência alimentar que passaram, pela dificuldade de ensino de dentro de casa ou de reforço de cursinhos que os filhinhos da classe média tanto dispõem e que os fazem achar "superiores".

Grandes empresas daqui do Rio estão chamando esses jovens e estão sendo absorvidos pelo mercado numa boa, e estão dando o resultado esperado.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A loucura dos que querem acabar com o PROUNI

Setores mais conservadores do Brasil têm feito campanha contra o PROUNI e contra as cotas.

Dizem que elas privilegiam alguns em detrimento de outros.

Antes de surgirem as cotas falavam em meritocracia: deviam entrar na faculdade os melhores.

Ou seja, o que passassem nos vestibulares.

Com o advento das cotas e os ótimos resultados do alunos cotistas este argumento foi “para o brejo”.

Estudos mostraram que os cotistas tiram as mesmas notas dos alunos “normais”. Em algumas universidades federais tiram notas até MAIORES.

Sobrou o argumento de que diferenciam as pessoas por raça e nível social. O que, na visão deles, seria algo ruim para o Brasil.

É interessante que outras leis não são questionadas.

São leis que beneficiam os muito ricos.

E os muito ricos são unanimamente brancos (e alguns pouquísimos orientais).

A possibilidade de deduzir do imposto de renda os gastos com saúde são um destes casos.

Se o pobre junta dinheiro e paga a consulta no médico ele não pode deduzir porque ele não paga Imposto de renda.

Se o rico paga 500 reais por uma consulta com a dermatologista da moda ele tem uma restituição de 27,5% do valor. Ou seja, todos nós brasileiros contribuímos com 137,50 reais.

Isto mesmo, quando os muito ricos vão no médico da moda, em seus consultórios elegantérrimos, todos os brasileiros pagam para ele se consultar.

Bom, esta é uma lei sobre a qual há SILÊNCIO.

Tirar o dinheiro que ia para o bolso dos milionários donos de faculdades e transformar em bolsas de estudo... isto é uma regra que vai “dividir a sociedade brasileira e só piorar nosso país onde o racismo não existe”.









Os mais conservadores são hipócritas.


Veja esta linda mulata acima.


Qual a probabilidade dela conseguir emprego no shopping como vendedora ou gerente?


Na hora de ser discriminada ela é negra, bem negra.


Na hora discutir as cotas nas universidades os mais conservadores querem embranquiça-la.


Agora, observe a loira abaixo.


Quem conseguiria o emprego?





Uma sociedade feliz é conquistada valorizando as pessoas

e oferecendo oportunidades para os desprivilegiados.


sábado, 3 de maio de 2008

COTAS nas universidades.

Em meio à discussão sobre a importância das cotas nas universidades relembrei de um dos primeiros artigos do blog do Chicão.

O artigo fala sobre os conservadores que sempre combateram a inclusão social.
A dominação sempre acontece através da desqualificação de tudo que visa beneficiar os mais humildes.

Ou melhor dizendo: desqualificação de tudo que leva a que o FLUXO do dinheiro seja desviado rumo ao bolso dos mais humildes.

Vale a pena ler de novo.


ParaPAN e a história da inclusão social



Esta é comemoração pela conquista da medalha de ouro no vôlei pelo Brasil.

É belo ver esta imagem.

Um pouco de história: faz apenas 20 anos que os movimentos sociais lançaram campanhas para a inclusão social. Estas campanhas incluíam, entre outras reivindicações:

- esporte adaptado para os deficientes físicos.

- reservas de vagas para deficientes físicos no serviço público e na iniciativa privada.

Eu me lembro bem da reação dos atuais cansados a estas reivindicações. Vamos relembrá-las:

- os jornais conservadores (Globo, Folha, Estado, etc.) sequer noticiaram as campanhas.

- os empresários, quando eram obrigados a se manifestarem, alegavam queda no lucro e ingerência indevida do governo nas empresas, gerando burocracia.

- nas rodas de conversa da classe alta o tema era motivo de piadas e deboches. Eu me lembro que em uma reunião de negócios, depois que expus o tema, fui alvo de gozação generalizada. Uma pessoa(?) até comentou que em corrida de cadeira de rodas o competidor vai capotar e ainda vai usar isto como desculpa para pedir aposentadoria. Triste, não! Esta é nossa elite: desqualifica até o sujeito da cadeira de rodas, como se todos fossem sacanas.

Só ela, a elite, não é.


NÃO ENTENDER A HISTÓRIA É REPETIR OS ERROS NO PRESENTE.


Os movimentos sociais conseguiram ganhos maravilhosos na sua luta por boas políticas de inclusão social. Ainda há muito o que fazer, muito já foi feito. Mas, é um engano achar que a elite mudou sua forma de ser e pensar. Apenas se tornou deselegante falar em público o que só deve ser dito em privado sobre o tema inclusão social.

A postura é a mesma: dentro do possível a mídia não divulga e muito menos debate o tema.

Dentro do possível a mídia destila seus preconceitos com argumentos pseudo-racionais.

A elite compra os jornais e revistas e suas empresas anunciam nelas. A classe média sonha em ser da elite e bobamente entrega o jogo.

Exemplo: o programa de inclusão social dos Correios permitiu com que milhões de pessoas recebessem em casa cartas e encomendas.

Receber carta em casa, do mesmo modo que acontece nos bairros da elite e nos de classe média.

Você viu alguma notícia sobre isto nos jornais?

Você sabia que os Correios, antes do atual governo, considerava antieconômico levar cartas até esta população?
Observe bem – a exclusão social NÃO acontece por que a elite diz: somos sacanas, tudo para nós e nada para eles.

Ela não fala isto, jamais.

É dissimulada. Há sempre razões de ordem “prática” e “racional” que geram a exclusão.

E os bobos da classe média apóiam esta situação.

Não se entregava carta na casa dos mais humildes por ser antieconômico.

“Estudos” foram feitos para provar que era pior para o país o “populismo” de entregar cartas nas casas mais humildes.

Resultado: as cartas chegam na casa dos mais ricos e não chegavam nas casas dos mais humildes.
Onde usar o dinheiro público segundo a elite?

Para financiar peças de teatro que só as elites assistem, por exemplo.

Ou o dinheiro público deve ser utilizado para que artistas como a Ivete Sangalo façam o DVD do seu show (e assim ficar bem mais riquinha e cansadinha).

Isto é cultura, segundo eles.

Isto vale a pena investir e apoiar. São quase um milhão de reais de recursos públicos para a princesa Ivete fazer o DVD do seu show.

Tudo dentro da lei. Já que a lei é feita para levar o dinheiro para os bolsos dos mais ricos e deixar sem recursos os mais pobres.

Afinal, entregar cartas nas casas dos mais humildes é antieconômico, não era isto que se dizia.