quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A popularidade do Lula e a classe alta

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Eu moro no estado de São Paulo. Aqui, entre as pessoas das classes mais ricas Lula tem uma avaliação péssima.

Quando viajo para outros estados esta rejeição ao Lula é bem menor. Muito menor, aliás.

Outro dia perguntei a uma dessas pessoas porque ela não gostava do Lula. Ele disse: "o Lula não faz nada, só esbanja o dinheiro público". (Também falou da falta de escolaridade, gafes, etc).

Um amigo meu me falou: "minha mulher me questionou porque eu gosto do Lula. No trabalho dela os colegas falam muito mal do presidente". Os colegas dela são pessoas com uma renda maior que R$10 mil/mês e que transitam somente nas áreas nobres da cidade.

Parece que na classe alta o Lula aparece apenas como o autor do bolsa família. O que, naturalmente, é um problema sério de comunicação do governo.

Uma pessoa pode gostar ou não de um governante. Todavia, os julgamentos mais eficientes são os racionais. Os que estão embasados em dados técnicos e que possam servir para uma ampla avaliação.

A transparência pública seria a melhor forma de termos estes dados. Não só para criticar, mas para esturdarmos e termos propostas de melhoria.

Como os dados são sempre obscuros, há margem para discursos que colocam a contratação de professores para as novas escolas técnicas federais como "inchaço da máquina". Isto, na minha opinião, é um desbarate total.

Como é difícil ter acesso a dados sérios, seja do governo federal, estadual ou municipal, vamos catando os dados à medida que eles aparecem.

Abaixo segue um dado sobre habitação:

"Para construir "um milhão de casas até 2010", como prometeu, em coro com a ministra e candidata Dilma Rousseff, no segundo e último dia do evento com prefeitos em Brasília, Lula terá mais do que dobrar o ritmo anual de obras de seu governo.
Segundo dados do Ministério das Cidades, somadas todas as modalidades da área de habitação -urbanização, construção e recuperação-, chega-se ao número de 2 milhões de moradias desde 2003, início da gestão petista. Ou seja, média de 285 mil casas/ano.

E Lula vem se empolgando: há uma semana, no Rio, prometera erguer 500 mil casas até o fim do mandato". (Folha de São Paulo)

2 milhões de moradias é bastante moradia. São aproximadamente 10 milhões de pessoas beneficiadas. 10 milhões de pessoas pobres ou de classe média baixa.

Os mais ricos nem percebem estas construções.

Mas, os mais pobres, que tem um parente beneficiado ou um vizinho ou um primo ou eles mesmos, percebem. Percebem porque o meio onde ele vive é transformado.

Acho que este é um dos motivos pelos quais o presidente alcança uma grande popularidade.

O que as classes mais ricas não percebem, os mais humildes percebem muito bem.



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3 comentários:

Anônimo disse...

Chicao, isso nao é tanto "comunicação do governo" como vc disse. Vai além e mais profundo - isso se chama luta de classes e, qerendo ou nao.

A eleite tem horror a qem lhe faz frente e nao aceita dividir o bolo - principalmente a latina, de origem judáico-crista.

E vai por aí.

É Dilma lá, ou Lula 3ro tempo.

Inté,
Murilo

Wemerson Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
graciliano disse...

Em 12 horas que mantive o rádio ligado hoje, sempre na CBN ou Jovem Pan AM, ouvi pelo menos 6 horas de malhação no Lula. Quando mencionaram, já à noite, o projeto do milhão de casas, disseram que Lula decidiu-se assim que leu as pesquisas mostrando a queda de sua popularidade... É assim nossa mídia isenta: perderam a vergonha de fazer campanha aberta, diuturna, entre um comercial do Serra e um do Kassab.