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terça-feira, 23 de junho de 2009

A carta de um pai que adotou crianças negras

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O preconceito contra os filhos

De Ruy

Sou branco. Minha mulher é branca. Adotamos 3 crianças negras. Ninguém é capaz de imaginar as situações pelas quais passamos. Só quem as viveu, conscientemente, pode avaliar.

Quando entramos na fila de adoção, a assistente social (negra) tentou nos dissuadir da idéia de adotarmos crianças negras, alegando que “isso não dá certo”.

Na padaria do bairro (chiquezinha) se as crianças corressem na frente (frequentemente vestindo o uniforme da escola), logo eram barradas pelo segurança (precisei dar alguns “esporros” até que parassem com isso).

Voltando de férias da Bahia, avião com overbooking; o atendente da cia. aérea nos colocou num canto, de pé, ao lado da cabine do piloto. Várias pessoas (todas brancas) entravam e nós esperando. Perdi a paciência e juntei o sujeito pelo colarinho. “Tá me achando com cara de palhaço?”. Os lugares apareceram milagrosamente.

Na livraria do aeroporto a mulher à minha frente, na fila do caixa, protege a bolsa quando minha filha se aproxima (minha filha é linda e estava vestida como uma bonequinha, laço de fita no cabelo e tudo mais). Pensei: vale a pena estragar a viagem prá discutir com essa idiota? Deixei prá lá.

Festa de aniversário no kartódromo. Fila de meninos para entrar nos carros. Deixo meu filho na fila e vou fazer outra coisa. Volto meia hora depois e ele ainda está na fila. Pergunto: o que houve? Ele: vários meninos entraram e o tio manda eu esperar. Olho pro “Tio” e ameaço: se ele não entrar na próxima, chamo a polícia. Rapidinho aparece um kart.

Na escola (classe média alta, mensalidade cara), qualquer encrenca envolvendo vários meninos, logo sobrava para os “pretinhos”. Chamei o diretor às falas, ameacei processar e levar o assunto para a mídia. Resultado: a perseguição aberta cessou, mas nasceu a perseguição institucional (na prova de matemática, ainda que todos os cálculos estivessem corretos, perdiam pontos por erros de português). Troquei de escola e adotei definitivamente o estilo low profile.

Desisti? Não! Apenas decidi criar meus filhos para saberem driblar tais situações. Estudem mais, sejam os melhores da classe, comportem-se mais que seus colegas, sejam mais educados, enfim, tenham mais paciência que seu pai. Provem para vocês mesmos que são os melhores, não pelo fato de serem negros (e nem apesar de serem negros) Sejam melhores, pelo prazer de serem melhores, por méritos próprios. E só!

E se, no futuro, nosso país não tiver passado por uma mudança radical, que lhes permita viver em paz, que tenham estudado o bastante para encontrar uma vida melhor em qualquer outro lugar do mundo, onde as pessoas sejam valorizadas por seus dotes e qualidades, não importando a cor ou a origem. E onde haja menos idiotas. Em todos os sentidos.

P.S.: eu vivo repetindo: cachorro pode ter raça; gato pode ter raça; gente pode, no máximo, ter cor diferente. Raça? Somos todos da RAÇA HUMANA (ainda que muita gente se esforce para me convencer do contrário)!!!

Do Blog do Luis Nassif


Nota do Chicão:

Leia abaixo trecho da revista Época:

“A criação de cotas raciais não vai gerar problema para a universidade, mas para o país”, afirma o geógrafo Demétrio Magnoli – ele participa das discussões no Senado e escreve um livro sobre a questão racial. “A partir do momento em que o Estado cria a raça, passa a existir também o racismo.”


Meu amigo, que loucura!

O sujeito diz: "passa a existir também o racismo".

A revista publica, os leitores aceitam tamanha loucura por que desistiram de refletir.

(Leia o resto deste texto aqui)

O combate ao racismo se faz com bons exemplos e, principalmente, com a mudança da REALIDADE. Não adianta só falar, as pessoas precisam se ACOSTUMAR a ver negros como empresários, médicos, advogados, engenheiros, psicólogos, modelos, etc.

Atualmente o presidente dos EUA é negro.

O Obama só foi eleito porque ANTES os americanos se acostumaram com negros comandando as forças armadas do país, com negros médicos cuidando de brancos em hospistais, com negros juízes, promotores, etc. Este fato só possível de ser realizado em curto espaço de tempo por existiu as políticas de cotas (as políticas de ação afirmativas).

É assim que se combate o racismo

É importante lembrar que a questão do racismo não é só um problema social. É, antes de tudo, um problema de evolução espiritual.

A caridade é ajudar pessoas que possuem dificuldades em evoluir. Algumas pessoas são preguiçosas, outras gananciosas e outras preconceituosas.

Um país onde as pessoas de todas as origens, classes sociais, cor de pele e formato do corpo tenham oportunidades REAIS de crescerem e progredirem culturalmente, socialmente e financeiramente dará aos preconceituosos mais oportunidades de evoluir e superar este limite.

Certamente teremos uma sociedade um pouco melhor.

Certamente a vida dos ex-preconceituosos será melhor.

Criar cotas e incentivar MUITO a progressão social dos negros e pobres em geral é o melhor exemplo que podemos dar aos nossos filhos.

É o melhor para a vida espiritual de todos.

Até porque, nas inúmeras encarnação que teremos, chegará nosso momento de enfrentar os desafios de nascer em famílias mais humildes e, talvez, negra.

Que Deus abençoe este pai. Ele está dando muitas oportunidades para as pessoas de classe média alta superarem os preconceitos.

Esta é uma forma bela de caridade para com as pessoas da sociedade.


Leia também:

Cotas para afro-descendentes nas universidades e a gratidão


A loucura dos que querem acabar com o PROUNI


Quem vai conseguir o emprego?


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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

É assim que se combate o racismo

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No auge da fama da Xuxa muitas crianças negras perguntavam para suas mães quando iriam ficar brancas.

Xuxa, Angélica, Eliane, etc... eram todas loirinhas, como se o Brasil fosse uma filial da Suécia.

As crianças negras viam a propaganda de bonecas loiras de olhos verdes.

Estas crianças cresceram sem referência nenhuma do que é ser negro que não fossem pessoas simples e em posições sociais humildes. Traduzindo, negros apareciam na Tv em programas sobre criminalidade ou apareciam na vida das crianças como cozinheira, motorista de ônibus ou como um vizinho pobre e sem estudos que nem seus pais.

Os mais ricos somente cruzavam com negros quando estes trabalhavam em serviços simples ou quando os "incomodavam" pedindo coisas ou andando por onde "não deveriam".

Palavras bonitas não competem com fatos concretos. De que adianta alguém falar que os negros merecem respeito e depois ficar com medo quando vê um grupo deles andando na rua?

Não adianta nada.

A melhor forma de combater o racismo é ajudar os negros a "crescerem" econômica e culturalmente. Mais educação e mais oportunidade de estudos e empregos (empregos "bons").

Eu já disse e repito. Obama só foi eleito porque ANTES os americanos se acostumaram com negros comandando as forças armadas do país, com negros médicos cuidando de brancos em hospistais, com negros juízes, promotores, etc. Este fato só possível de ser realizado em curto espaço de tempo por existiu as políticas de cotas (as políticas de ação afirmativas).

Veja agora que bela a notícia abaixo:

"Deu na "New York" e ecoou no Blue Bus que as agências publicitárias americanas "lutam para se ajustar à nova era, em que as pessoas mais admiradas da América são uma família negra". Agentes buscam modelos (acima) que lembrem as duas filhas de Obama". Folha de SP

Certamente as crianças americanas negras não perguntarão mais para suas mães, como as brasileiras: quando é que eu vou ficar branca?

Não perguntarão porque terão muitos e bons exemplos de pessoas como elas em posição social de relevância.

E as crianças de outras raças poderão admirar negros que não sejam esportistas ou artístas.

E vai chegar um tempo em que a cor das pessoas serão o segundo (ou terceiro) plano de suas vidas.

Neste dia a sociedade humana estará vivendo muito melhor.




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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Estudo mostra que tolerância racial pode se disseminar

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Acreditava-se que nesta eleição o racismo oculto seria um problema. Falou-se muito de um "efeito Bradley", segundo o qual os eleitores brancos diriam uma coisa aos entrevistadores das pesquisas de opinião e fariam outra na privacidade da urna; de uma reação dos operários brancos, que foram rotulados pelo senador Barack Obama de "amargos", e que descarregariam esse amargor no candidato.

Mas, segundo os especialistas, em todos esses comentários angustiados passou despercebida uma recente descoberta feita a partir de estudos sobre o preconceito: o de que a confiança mútua entre membros de raças diferentes pode materializar-se tão rapidamente, e disseminar-se com a mesma rapidez, quanto a suspeita inter-racial.

Em alguns novos estudos, os psicólogos foram capazes de identificar uma relação estreita entre diversos pares - negros e brancos, latinos e asiáticos, negros e latinos - em uma questão de horas. Essa relação reduz imediatamente os preconceitos conscientes e inconscientes em ambas as pessoas, e também diminui significativamente o preconceito dos amigos próximos do indivíduo em relação ao outro grupo.

Este efeito do contato ampliado, como é chamado, circula como um vírus benigno em meio a um determinado grupo, contrabalançando desconfianças um pouco ou bastante sutis.

"É importante lembrar que, sem dúvida, existem preconceitos na sociedade; mas creio que isto é apenas a metade da história", afirma Linda R. Tropp, professora de psicologia da Universidade de Massachusetts. "Com mudanças mais amplas na sociedade como um todo, as pessoas podem também ficar mais dispostas a cruzar as fronteiras raciais, e isto vale tanto para as minorias quanto para os brancos".

Apesar da eleição de Obama, os especialistas concordam que o preconceito institucional e individual ainda permeia vários setores da vida moderna. E, neste ano, as preocupações com a economia podem ter superado quaisquer preocupações persistentes em relação à raça.

Ao que parece, onde a raça chegou a desempenhar um papel na eleição, ela parece ter favorecido mais do que prejudicado Obama. Nas pesquisas de intenção de voto, a maior parte dos 17% de eleitores brancos que afirmaram que a questão racial pesou de alguma forma em suas decisões votou em McCain; mas, entre todos os eleitores para os quais a raça foi um fator levado em consideração, Obama obteve a maioria.

"Sou republicano, e para votar em Obama tive que contar com um certo nível de confiança, acreditando que estava fazendo a coisa certa, que ele não teria uma mentalidade egoísta e limitada, que Obama não privilegiaria nenhum grupo em detrimento de outro", afirma Nelson Montgomery, 50, um executivo de vendas branco de Buffalo, que morou em um bairro negro de Houston no início da sua carreira. "O que ocorre é que atualmente estamos tão polarizados que só escutamos o que vem dos setores periféricos do outro lado. Mais do que tudo, precisamos construir confiança. E eu senti que Obama seria capaz de fazer isso".

Em estudos conduzidos nos últimos anos, pesquisadores demonstraram com que rapidez a confiança pode ser construída nas circunstâncias propícias. A fim de criar uma relação próxima a partir da estaca zero, psicólogos fazem com que dois indivíduos que não se conhecem encontrem-se em sessões de quatro horas de duração. Na primeira vez, os dois compartilham as suas respostas para uma lista de questões, desde a inócua "Você gostaria de ser famoso? De que forma?", até outras mais sérias, como: "Se você pudesse mudar algo em relação à forma como foi criado, o que seria?".

Na segunda sessão, o par compete com outros pares em diversos jogos de palavras. Na terceira, eles falam a respeito de várias coisas, incluindo por que motivo sentem orgulho de um membro do seu grupo étnico, seja ele latino, asiático, branco ou negro. Finalmente, eles se revezam usando uma venda, enquanto o parceiro dá instruções para a travessia de um labirinto.

"Por mais triviais que pareçam, esses exercícios criam uma relação que é a mais estreita que uma pessoa é capaz de ter", afirma Art Aron, um psicólogo social da Universidade Stony Brook, que desenvolveu o programa com a mulher dele, Elaine N. Aron.

A nova relação pode durar vários meses - ou anos -, e ela provoca imediatamente a queda dos números que medem vários preconceitos do indivíduo. Além do mais, ela reduz significativamente a ansiedade durante encontros com outros membros daquele segundo grupo, conforme foi determinado pela avaliação dos níveis de hormônios de estresse presentes na saliva.

Em uma série de estudos, Art Aron e outros descobriram que, ao gerar uma amizade inter-racial, eles são capazes de melhorar a relação entre grupos que foram lançados uns contra os outros em competições hostis. Em um estudo contínuo de cerca de mil novos estudantes da Universidade Stony Brook, Aron descobriu que o mero fato de estar na mesma classe em que outros pares inter-raciais estão interagindo é capaz de reduzir os níveis de preconceito.

Os psicólogos alegam que o motivo pelo qual tais mudanças ocorrem é o fato de as pessoas sentirem uma necessidade egoísta de expandir as suas identidades através de outros indivíduos - para tornarem-se uma parte das vidas dos outros, e vice-versa, como namorados, pais, colegas, amigos. Estudos revelam que é exatamente isso o que acontece em um relacionamento: os indivíduos não estão simplesmente conscientes dos problemas dos amigos próximos, mas, até certo ponto, sentem a dor, a humilhação, a injustiça.

Os psicólogos são capazes de manipular esta necessidade de auto-expansão. Em uma experiência recente, liderada por Stephen Wright, psicólogo da Universidade Simon Fraser, na província canadense de Colúmbia Britânica, pesquisadores fizeram com que 47 alunos descrevessem as suas tarefas e atividades e com que eles se sentissem sobrecarregados ou entediados, com base em falsos testes de personalidade.

"É algo fácil de fazer, porque os estudantes sempre se sentem tanto sobrecarregados quanto entediados", explica Wright. "Aqueles que foram induzidos ao tédio sentiram-se mais interessados do que outros em fazer amizade com alguém cujo nome pertencesse a um grupo minoritário".

Estes impulsos vão de encontro a qualquer preconceito implícito ou subconsciente que a pessoa possa ter. Quando estão em jogo questões maiores, a importância da raça diminui.

"No final da década de 1960, quando o político negro Richard G. Hatcher desejava tornar-se prefeito de Gary, no Estado de Indiana, um bairro próximo à siderúrgica apresentava um índice de rejeição a ele de quase 90%", diz Thomas Pettigrew, professor e pesquisador em psicologia social da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, que ajudou a fazer a pesquisa. Descobriu-se que muito dos moradores estavam mais preocupados com um depósito de lixo próximo à cidade que provocava mau cheiro no bairro. Após ser eleito, Hatcher fechou o depósito de lixo, e na próxima eleição ele obteve quase 40% dos votos daquele bairro. "Muita gente que vivia lá se preocupava mais com o lixão do que com a cor do prefeito", afirma Pettigrew. "Quanto à eleição de Obama, creio que a crise econômica teve um impacto semelhante".

do jornal The NY Times


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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Presidente negro. Cadê o discurso dos conservadores fascistas brasileiros?

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Alguns meses atrás o IPEA divulgou estudos populacionais que indicavam que a população negra brasileira estava crescendo a ponto de estar perto de ser maioria no Brasil.

Houve uma reação de setores conservadores que diziam que é racismo considerar alguém que é mestiço (filhos de negros e brancos) como negro.

A reação dos conservadores beirou o xilique. Os comentaristas, blogueiros, analistas, editorialistas e outros empregados dos milionários donos de jornais e Tvs diziam que era um absurdo considerar um mestiço como negro. Grande parte da nossa população passou a repetir este argumento que nem papagaio.

É assim que acontece sempre.

Estes papagaios são o sonho de consumo da aliança conservadora. Tudo o que os donos dos jornais mandam seus "jornalistas" falarem (sempre uma unanimidade) eles aceitam, pois imaginam que estão pensando, refletindo, sendo "equilibrados".

Com isto eles manipulam a verdade. Um exemplo: "no Brasil a carga tributária é muito alta". Na hora de reduzir impostos os MUITO ricos, que pagam POUCO imposto no Brasil, fazem muito esforço para reduzir ainda mais os pouco imposto que eles pagam. Os papagaios aplaudem estes "generosos barões da imprensa" que lutam pelo "bem comum". Parece piada mas é assim que funciona, MANIPULAÇÃO E CONTROLE DA MENTE COM NEGATIVISMO CONSTANTE.

O IPEA é dirigido por um dos mais competentes economistas do Brasil, que não faz o jogo da unanimidade burra que o PIG (os milionários donos dos jornais e TVs) deseja. Tentaram de toda forma desmoraliza-lo. Até mentiras foram publicadas...

Hoje, com a eleição do mestiço (filho de pai negro e mãe branca) Barack Obama a manipulação fica bem clara.

As manchetes:

Estado de São Paulo

"EUA elegem Barack Obama, o primeiro presidente NEGRO".

O Globo

"Democrata será o primeiro NEGRO a comandar a Casa Branca"

Folha de São Paulo

"Filho de um queniano com uma americana, ele será o primeiro NEGRO a ocupar a Casa Branca".

Se você quiser continuar sendo manipulado saiba que há um preço alto a pagar. Uma mente condicionada e uma sociedade de pior qualidade.

Reflita e liberte-se daqueles que encaram sua mente como uma parte do negócio deles.

O texto abaixo abaixo é do herói dos fascistas, o "ser pensante" que diz para os papagaios o que eles devem pensar:

"Não havendo critério científico que divida os humanos entre
"raças", o racialismo escolheu a cor da pele como critério: são brancos os, como
direi?, de pele branca, e "negros", os autodeclarados "pardos e pretos", o que
levou o Ipea a afirmar que, até o fim do ano, o Brasil terá uma maioria negra —
uma falsificação estúpida da verdade. Por quê? O filho mestiço de pai branco e
mãe negra (ou o contrário) será, segundo esse critério, "negro". ... Os bravos decidiram combater o que antes se chamava "política do
embranquecimento" com a "política do enegrecimento". E acreditam que isso é
muito justo e progressista".

Parece que nem o PIG acredita nele.

Leia mais os textos do Blog do Chicão:

A loucura dos que querem acabar com o PROUNI

Auxílio e tempo de duração das cotas no Brasil

Quem vai conseguir o emprego?




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sábado, 3 de maio de 2008

COTAS nas universidades.

Em meio à discussão sobre a importância das cotas nas universidades relembrei de um dos primeiros artigos do blog do Chicão.

O artigo fala sobre os conservadores que sempre combateram a inclusão social.
A dominação sempre acontece através da desqualificação de tudo que visa beneficiar os mais humildes.

Ou melhor dizendo: desqualificação de tudo que leva a que o FLUXO do dinheiro seja desviado rumo ao bolso dos mais humildes.

Vale a pena ler de novo.


ParaPAN e a história da inclusão social



Esta é comemoração pela conquista da medalha de ouro no vôlei pelo Brasil.

É belo ver esta imagem.

Um pouco de história: faz apenas 20 anos que os movimentos sociais lançaram campanhas para a inclusão social. Estas campanhas incluíam, entre outras reivindicações:

- esporte adaptado para os deficientes físicos.

- reservas de vagas para deficientes físicos no serviço público e na iniciativa privada.

Eu me lembro bem da reação dos atuais cansados a estas reivindicações. Vamos relembrá-las:

- os jornais conservadores (Globo, Folha, Estado, etc.) sequer noticiaram as campanhas.

- os empresários, quando eram obrigados a se manifestarem, alegavam queda no lucro e ingerência indevida do governo nas empresas, gerando burocracia.

- nas rodas de conversa da classe alta o tema era motivo de piadas e deboches. Eu me lembro que em uma reunião de negócios, depois que expus o tema, fui alvo de gozação generalizada. Uma pessoa(?) até comentou que em corrida de cadeira de rodas o competidor vai capotar e ainda vai usar isto como desculpa para pedir aposentadoria. Triste, não! Esta é nossa elite: desqualifica até o sujeito da cadeira de rodas, como se todos fossem sacanas.

Só ela, a elite, não é.


NÃO ENTENDER A HISTÓRIA É REPETIR OS ERROS NO PRESENTE.


Os movimentos sociais conseguiram ganhos maravilhosos na sua luta por boas políticas de inclusão social. Ainda há muito o que fazer, muito já foi feito. Mas, é um engano achar que a elite mudou sua forma de ser e pensar. Apenas se tornou deselegante falar em público o que só deve ser dito em privado sobre o tema inclusão social.

A postura é a mesma: dentro do possível a mídia não divulga e muito menos debate o tema.

Dentro do possível a mídia destila seus preconceitos com argumentos pseudo-racionais.

A elite compra os jornais e revistas e suas empresas anunciam nelas. A classe média sonha em ser da elite e bobamente entrega o jogo.

Exemplo: o programa de inclusão social dos Correios permitiu com que milhões de pessoas recebessem em casa cartas e encomendas.

Receber carta em casa, do mesmo modo que acontece nos bairros da elite e nos de classe média.

Você viu alguma notícia sobre isto nos jornais?

Você sabia que os Correios, antes do atual governo, considerava antieconômico levar cartas até esta população?
Observe bem – a exclusão social NÃO acontece por que a elite diz: somos sacanas, tudo para nós e nada para eles.

Ela não fala isto, jamais.

É dissimulada. Há sempre razões de ordem “prática” e “racional” que geram a exclusão.

E os bobos da classe média apóiam esta situação.

Não se entregava carta na casa dos mais humildes por ser antieconômico.

“Estudos” foram feitos para provar que era pior para o país o “populismo” de entregar cartas nas casas mais humildes.

Resultado: as cartas chegam na casa dos mais ricos e não chegavam nas casas dos mais humildes.
Onde usar o dinheiro público segundo a elite?

Para financiar peças de teatro que só as elites assistem, por exemplo.

Ou o dinheiro público deve ser utilizado para que artistas como a Ivete Sangalo façam o DVD do seu show (e assim ficar bem mais riquinha e cansadinha).

Isto é cultura, segundo eles.

Isto vale a pena investir e apoiar. São quase um milhão de reais de recursos públicos para a princesa Ivete fazer o DVD do seu show.

Tudo dentro da lei. Já que a lei é feita para levar o dinheiro para os bolsos dos mais ricos e deixar sem recursos os mais pobres.

Afinal, entregar cartas nas casas dos mais humildes é antieconômico, não era isto que se dizia.