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sábado, 22 de novembro de 2008

Consumismo gera frustração

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Hoje saí de casa cedo e fui jogar tênis.

No meio do caminho encontrei uma mocinha bem bonitinha. Bem educada, ela me cumprimentou e eu pensei: será que é verdade?

Ela foi criada sonhando. Sonhando com a roupa nova, já que as dezenas de roupas que possui no armário não lhe satisfaziam.

Sonhando com a nova compra, já que tudo o que tinha não a satisfazia.

Sempre sonhando com o que não tinha e desprezando o que tinha.

É uma vida igual a tantas outras.

Será que é verdade que ela está injetando droga na veia?

Ela é uma menina igual a tantas outras. Criada em boas escolas, boas roupas e muita televisão.

Sempre sonhando. Um dia é o novo vestido... no outro dia é um novo produto “diferente”. Alguém mais sensato poderia perguntar: “ela já tem tantos vestidos. Para quê mais”? Ela tem muitos vestidos, muitos produtos eletrônicos, muito de tudo. Mas está sofrendo. Nenhum dos vestidos são valorizados. Nenhum dos produtos à sua disposição produz uma paz interior. Há pouca valorização e muita destruição. Por isto ela precisa de mais, sempre mais.

E a gratidão?

E a aceitação?

São belas palavras e não habilidades desenvolvidas.

A verdade fica assim: ela está insatisfeita, mesmo tendo em excesso.

Consumismo gera insatisfação.

Será que é verdade que ela busca nas drogas mais uma etapa do seu consumismo?

Gratidão gera satisfação.

Gratidão faz as pessoas consumirem menos.

A gratidão faz as pessoas ficarem menos angustiadas.

Graças a Deus eu aprendi a ter gratidão.

Pensei em dizer isto para ela.

Acho que ela seria capaz de me perguntar onde poderia comprar este “novo” produto.

Pessoas assim não querem produzir. Não querem desenvolver. Não querem aceitar a realidade. Não aprenderam a valorizar.

Querem comprar.

Eu fui embora satisfeito e deixei para trás alguém insatisfeito.

Será que é verdade?



Nota do Chicão:

Escrevi este texto alguns meses atrás e não publiquei. Esta semama fiquei sabendo que, infelizmente, era verdade. A menina bonita e educada está consumindo drogas. Foi criada para consumir coisas e resolveu consumir drogas.

Vou orar por esta pessoa e sua família, mas também para todos os BONS pais que criam seus filhos baseados no consumismo.

São muitos bons pais que perderam a noção e acham que o consumismo que eles vivem é apenas "necessidade", "nada demais".



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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Crianças ficam reféns precocemente da publicidade e do marketing

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A publicidade e o marketing para as crianças, atualmente, estão entre os principais fatores que levam a distúrbios alimentares - como a obesidade e a anorexia -, à sexualização precoce, a comportamentos agressivos e a problemas familiares. O alerta é da professora e pesquisadora de Harvard, a norte-americana Susan Linn, que está no Brasil para o 2º Fórum Internacional Criança e Consumo - que termina amanhã. A informação é da Folha, de hoje.


"Hoje, elas [as crianças] são bombardeadas por uma série de estímulos para que consumam cada vez mais", afirma. De acordo com a pesquisadora de Harvard, em 1983, o gasto com publicidade voltada para crianças nos Estados Unidos era de US$ 100 milhões por ano. Atualmente, afirma Linn, esses valores chegam a US$ 17 bilhões por ano.


“Hoje em dia, - diz a pesquisadora norte-americana – qualquer pessoa precisa estar preocupada com a saúde do planeta e com o aquecimento global. Quem tem esse tipo de preocupação tem que estar atento ao consumo, porque é ele que tem que mudar. Isso está muito claro. Os hábitos começam com a criança e hoje em dia elas são bombardeadas por uma série de estímulos para que consumam cada vez mais” – completa Susan Linn.

Diário Gauche


Nota do Chicão:

Meus filhos aprenderam desde cedo a ter menos e ficarem satisfeitos.

A essência da propaganda é gerar insatisfação nas pessoas para depois vender uma "solução".

Me lembro quando o meu filho me pediu uma camisa oficial de um time de futebol. Eu fui com ele até a loja e mostrei a camisa e o preço. Falei para ele sobre ficar satisfeito em ter algo mais simples. E o preço que ele pagaria por acreditar em alo que não existe (o status).

Foram milhares de conversas. Dezenas de vezes propus para eles escolherem entre ter algo caro ou ficar com o pai e a mãe. Explicava que precisaria trabalhar mais para ter dinheiro extra, e mesmo assim haveriam muitas outras coisas que eles não teriam.

Ensinei meus filhos a brincarem sem televisão. Deu um pouco mais de trabalho. Mas eles aprenderam a brincar, chamar amigos, se satisfazerem com seus brincados e aproveitarem de cada um deles.

Hoje sou um pai satisfeito com o resultado.

Quando olho para trás vejo que curti muito meus filhos (e ainda curto). Lemos juntos, jogamos juntos, conversamos.

Minha casa só tem uma televisão. Todos conseguem dividir e viver em paz.

Minha casa tem paz e harmonia.

Aqui um ajuda o outro.

Conversamos muito e somos satisfeitos.

Certamente, se tivesse várias televisões, com as pessoas se alienando separadas NÃO HAVERIA espaço para o diálogo e para o COMPARTILHAR DE AÇÕES, ATIVIDADES, ETC.

Fizemos outra escolha. Fico muito feliz com isto.



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