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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ser como um rio que flui

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“Ser como um rio que flui
Silencioso no meio da noite
Não temer as trevas da noite
Se há estrelas no céu, refleti-las.
E se o céu se enche de nuvens
Como o rio, as nuvens são água;
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades traqüilas.”
Como o rio, as nuvens são água;
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades traqüilas.”

Manuel Bandeira



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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

COMEÇAR DE NOVO

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Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:

"COMEÇAR DE NOVO

Eu tinha medo da escuridão

Até que as noites se fizeram longas e sem luz

Eu não resistia ao frio facilmente

Até passar a noite molhado numa laje

Eu tinha medo dos mortos

Até ter que dormir num cemitério

Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires

Até que me deram abrigo e alimento

Eu tinha aversão a Judeus

Até darem remédios aos meus filhos

Eu adorava exibir a minha nova jaqueta

Até dar ela a um garoto com hipotermia

Eu escolhia cuidadosamente a minha comida

Até que tive fome

Eu desconfiava da pele escura

Até que um braço forte me tirou da água

Eu achava que tinha visto muita coisa

Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas

Eu não gostava do cachorro do meu vizinho

Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar

Eu não lembrava os idosos

Até participar dos resgates

Eu não sabia cozinhar

Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome"


Nota do Chicão:

O sofrimento é uma oportunidade. Algumas pessoas pessoas precisam passar por situações radicais para superarem seus preconceitos.

A gratidão e o serviço são formas de fazermos estas mudanças sem precisarmos do sofrimento.

Alguns usam o sofrimento para reafirmarem seus preconceitos.

Alguns usam seus sofrimentos para nascerem de novo em vida.

A pessoa que escreveu o texto acima renasceu, começou de novo.




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domingo, 17 de agosto de 2008

Poema: te vi distante

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Eu te vi distante.
Distante das minhas mãos,
mas não de meus olhos.

Eu queria mais.
Mas o que via não era pouco.
E porque não me satisfazia?

O que eu via era belo.
Meus olhos se satisfaziam,
Meu coração palpitava,
E meu pênis avolumava.
E porque eu não me satisfazia?

Feliz de mim.
Podia te ver,
Podia me deliciar,
Podia me lambuzar,
Podia me alegrar,
Podia me extasiar
Te vendo ao longe.

E porque eu não me satisfazia,
Quase perdi o que já tinha.

Te observei,
Te adorei,
Te apreciei,
Te devorei,
De longe
Mas não com menos potência.

Já tendo tudo usufruído,
De pertinho
Fui tentar algo a mais.



Poema do Chicão


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Poema: O POÇO

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Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profundezas da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.


Poema de Pablo Neruda